....eis uma condiçao para que se sinta livre no espirito e fiel aos seus principios . um grande dragao !!!

fcporto

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Amor, Quando Se Revela

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar. 

Quem quer dizer o que sente  
Não sabe o que há de dizer.  
Fala: parece que mente 
Cala: parece esquecer 

Ah, mas se ela adivinhasse,  
Se pudesse ouvir o olhar,  
E se um olhar lhe bastasse  
Pra saber que a estão a amar!  
Mas quem sente muito, cala;  
Quem quer dizer quanto sente 
Fica sem alma nem fala,  
Fica só, inteiramente! 

Mas se isto puder contar-lhe 
O que não lhe ouso contar,  
Já não terei que falar-lhe  
> Porque lhe estou a falar... 
Fernando Pessoa

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Folhas verdes (Rosi Cheque)

Vejo o céu e o jardim “ser parecido”.
Vejo em seus olhos o sol ser duplicado.
Há passarinhos cantando a maravilha.
E pessegueiros em cor serem semeados.

O ar em fresco Adônis enamora.
O Ipê – quão – tão lindo faz-me rir.
É primavera imprimindo a cor pisada.
A Terra inteira em coração se faz abrir.

A cinza. O pó. A sombra. O nada.
Minha vida são flores derretidas.
Magia? É a neve desfolhada.
Inverno: sonho em despedida.

Oh! Povo! Escute as sonoras aves.
Sinta a Terra a primavera agradecer.
É natureza implorando a “deus”, ao Céu
Para a vida aqui na Terra acontecer.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mais Nada se Move em Cima do Papel
mais nada se move em cima do papel
nenhum olho de tinta iridescente pressagia
o destino deste corpo

os dedos cintilam no húmus da terra
e eu
indiferente à sonolência da língua
ouço o eco do amor há muito soterrado

encosto a cabeça na luz e tudo esqueço
no interior desta ânfora alucinada

desço com a lentidão ruiva das feras
ao nervo onde a boca procura o sul
e os lugares dantes povoados
ah meu amigo
demoraste tanto a voltar dessa viagem

o mar subiu ao degrau das manhãs idosas
inundou o corpo quebrado pela serena desilusão

assim me habituei a morrer sem ti
com uma esferográfica cravada no coração

Al Berto, “O Medo”


O amor não tem fim.

O amor não tem fim.

Para se falar de amor tem que se sentir,
tem que na dor, saber viver, como na felicidade,
tem que saber que no amor a maior verdade,
é que quando se ama, o fim não pode existir.

O amor, nasce e não morre...dá-nos coragem,
apega-se a nós, cresce e dá muita saúde,
O amor nã0 atinge a plenitude,
porque não conhece a distância da viagem.

O amor é uma montanha sempre a subir,
só quem a tenta trepar sabe que não tem fim,
e quanto mais se sobe, mais a sentimos assim,
interminavel, mas sempre mais alto queremos ir.

O amor é como caminhar no deserto,
tendo a certeza que o oásis existe,
é um tanto lá querer chegar que a sede resiste,
à grande distância, que nos parece tão perto.

O amor é uma eterna cumplicidade ,
uma frieza que ora aquece, ora arrefece,
um sentimento que os ajuizados enlouquece
e faz os loucos transparecer sobriedade.

O amor só acaba para quem o não conhece,
para quem desiste de amar porque provoca dor,
o amor só é realmente verdadeiro amor,
quando da dor se alimenta e se enfortalece.

É o amor que nos alimenta e que nos faz viver,
que nos faz sorrir e chorar no mesmo minuto,
é o amor que eu neste momento, feliz escuto,
nas palavras, que só nós podemos entender.

Eduardo Mesquita.