....eis uma condiçao para que se sinta livre no espirito e fiel aos seus principios . um grande dragao !!!

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Soneto da Fidelidade (Vinícius de Morais)

E tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meus pensamentos
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ser Doido-Alegre, que Maior Ventura!
Ser doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p'ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!

Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola, a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgatório um paraíso...

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Eu & Você

Banho aquela moça-pernas de quem balança a imaginação
Que nunca mais trouxe o coração que dança em sim e não.
De versos livres num ventre escravo, esparsos berços.
Olhos de orvalho, aquarela do canto das manhãs,
Calmas e singelas sanhas e manhas
Em seu sorriso de paz.

Todo esse pranto fora sereno mesmo havendo janeiros, setembros,
Dezembros fertilizados em cores de sol
Beijos de destinos que já são cinzas e esquecimento.

Em que paisagem escondestes o adeus dos portos e
A vida? Brilha só tão só saber o que jamais se sabe não viver
O sonho permissível vôo de Ícaro...

Compremos um avião?!... (Miguel S. Zanirato)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Frio o mar
por entre o corpo
fraco de lutar
Quente o chão
Onde te estendo e te levo à razão
E pede-me a paz dou-te o mundo
louco livre assim sou eu
Um pouco mais
grita-me mostra-me a cor do céu
Sangue ardente
Fermenta e torna os dedos de papel
Luz dormente
Suavemente pinta o teu rosto a pincel.

Pedro Abrunhosa

domingo, 23 de janeiro de 2011

Falo de Ti às Pedras das Estradas
Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quer Pouco: Terás Tudo
Quer pouco: terás tudo. 
Quer nada: serás livre. 
O mesmo amor que tenham 
Por nós, quer-nos, oprime-nos. 

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

                        Quando tu passas

Passas apressada, pelas ruas e praças
Mas quando me vez, no último andar
Desejas voltar
Porém deves passar

Marcelo Vinicius

Ascensão
Nunca estive tão perto da verdade.
Sinto-a contra mim,
Sei que vou com ela.

Tantas vezes falei negando sempre,
esgotando todas as negações possíveis,
conduzindo-as ao cerco da verdade,
que hoje, côncavo tão côncavo,

sou inteiramente liso interiormente,
sou um aquário dos mares,
sou apenas um balão cheio dessa verdade do mundo.

Sei que vou com ela,
sinto-a contra mim, -
nunca estive tão perto da verdade.

Jorge de Sena, in 'Perseguição'

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Estar Só é Estar no Íntimo do Mundo
Por vezes   cada objecto   se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma planta
é estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo

António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Querem uma Luz Melhor que a do Sol!
AH! QUEREM uma luz melhor que
a do Sol!
Querem prados mais verdes do que estes!
Querem flores mais belas do que estas
que vejo!
A mim este Sol, estes prados, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontentam,
O que quero é um sol mais sol
que o Sol,
O que quero é prados mais prados
que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores
que estas flores -
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Não sei como apareces de repente


Não sei como apareces de repente
atrás de qualquer coisa tão comum.
Fantasma, vens do nada, do nenhum,
assombras-me dum modo diferente.

Não sei qual a magia que tu usas
que põe a minha vida assim presa.
Não sei como me apanhas de surpresa
e tornas-te a maior das minhas musas.

Não sei como te fazes nevoeiro
opaco, envolvente, sorrateiro,
que tento abraçar mas não agarro.

Nem sei porque feitiço ou que arte
consigo facilmente imaginar-te
no fumo que se solta do cigarro.

ASS. Domingos do Carmo

O amor não tem fim.

O amor não tem fim.

Para se falar de amor tem que se sentir,
tem que na dor, saber viver, como na felicidade,
tem que saber que no amor a maior verdade,
é que quando se ama, o fim não pode existir.

O amor, nasce e não morre...dá-nos coragem,
apega-se a nós, cresce e dá muita saúde,
O amor nã0 atinge a plenitude,
porque não conhece a distância da viagem.

O amor é uma montanha sempre a subir,
só quem a tenta trepar sabe que não tem fim,
e quanto mais se sobe, mais a sentimos assim,
interminavel, mas sempre mais alto queremos ir.

O amor é como caminhar no deserto,
tendo a certeza que o oásis existe,
é um tanto lá querer chegar que a sede resiste,
à grande distância, que nos parece tão perto.

O amor é uma eterna cumplicidade ,
uma frieza que ora aquece, ora arrefece,
um sentimento que os ajuizados enlouquece
e faz os loucos transparecer sobriedade.

O amor só acaba para quem o não conhece,
para quem desiste de amar porque provoca dor,
o amor só é realmente verdadeiro amor,
quando da dor se alimenta e se enfortalece.

É o amor que nos alimenta e que nos faz viver,
que nos faz sorrir e chorar no mesmo minuto,
é o amor que eu neste momento, feliz escuto,
nas palavras, que só nós podemos entender.

Eduardo Mesquita.